terça-feira, setembro 30, 2003



Gazal do Amor Desesperado

A noite não quer vir
para que tu não venhas,
nem eu possa ir.

Mas eu irei,
mesmo que um sol de lacraus me coma as têmporas.

Mas tu virás,
com a língua queimada pela chuva de sal.

O dia não quer vir,
para que tu não venhas,
nem eu possa ir.

Mas eu irei
entregando aos sapos o meu cravo mordido.

Mas tu virás
pelas turvas cloacas da escuridão.

Nem a noite nem o dia querem vir
para que eu morra por ti
e tu morras por mim.


Federico Garcia Lorca

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