quinta-feira, junho 12, 2003

eu posso tentar fazer as coisas todas que me apetecer
mas o que me apetece mesmo é ouvir-te dizer poemas

Soneto

Não será sempre assim... Quando não for;
Quando teus lábios forem de outro; quando
No rosto de outro o teu suspiro brando
Soprar; quando em silêncio, ou no maior

Delírio de palavras desvairando,
Ao teu peito o estreitares com fervor;
Quando, um dia, em frieza e desamor
Tua afeição por mim se for trocando:

Se tal acontecer; fala-me. Irei
Procurá-lo, dizer-lhe num sorriso:
"Goza a ventura de que já gozei:"

Depois, desviando os olhos, de improviso,
Longe, ah tão longe, um pássaro ouvirei
Cantar no meu perdido paraíso.

e. e. cummings

Sem comentários:

 
Free counter and web stats Add to Technorati Favorites