quarta-feira, abril 26, 2006






Bush has said: "We will not allow the world's worst weapons to remain in the hands of the world's worst leaders." Quite right. Look in the mirror chum. That's you.

The US is at this moment developing advanced systems of "weapons of mass destruction", and is prepared to use them where it sees fit. It has walked away from international agreements on biological and chemical weapons, refusing to allow any inspection of its own factories.

Harold Pinter

sexta-feira, abril 21, 2006





2 little whos
(he and she)
under are this
wonderful tree

smiling stand
(all realms of where
and when beyond)
now and here

(far from a grown
-up i&you-
ful world of known)
who and who

(2 little ams
and over them this
aflame with dreams
incredible is)

e.e. cummings

terça-feira, abril 18, 2006


A rainha careca


De cabeleira farta
de rígidas ombreiras
de elegante beca
Ula era casta
Porque de passarinha
Era careca.
À noite alisava
O monte lisinho
Co'a lupa procurava
Um tênue fiozinho
Que há tempos avistara.
Ó céus! Exclamava.
Por que me fizeram
Tão farta de cabelos
Tão careca nos meios?
E chorava.
Um dia...
Passou pelo reino
Um biscate peludo
Vendendo venenos.
(Uma gota aguda
Pode ser remédio
Pra uma passarinha
De rainha.)
Convocado ao palácio
Ula fez com que entrasse
No seu quarto.
Não tema, cavalheiro,
Disse-lhe a rainha
Quero apenas pentelhos
Pra minha passarinha.
Ó Senhora! O biscate exclamou.
É pra agora!
E arrancou do próprio peito
Os pêlos
E com saliva de ósculos
Colou-os
Concomitantemente penetrando-lhe os meios.
UI! UI! UI! gemeu Ula
De felicidade
Cabeluda ou não
Rainha ou prostituta
Hei de ficar contigo
A vida toda!
Evidente que aos poucos
Despregou-se o tufo todo.
Mas isso o que importa?
Feliz, mui contentinha
A Rainha Ula já não chora.


Moral da estória:
Se o problema é relevante,
apela pro primeiro passante.


Hilda Hilst

segunda-feira, abril 17, 2006


Deslealdade

Durante o casamento de Tétis com Peleu,
ergueu se o deus Apolo na mesa resplandente
da boda, abençoando os nubentes pelo filho
que havia de nascer daquela sua união.
Disse: "Não há doença que eu veja que o atinja,
não o verás morrer." E quando o deus isso disse,
muito se alegrou Tétis, porque nessas palavras
de Apolo, que sabia tudo das profecias,
viu ela garantia para a vida do filho.
E quando ia crescendo Aquiles e já então
A sua formosura a Tessália enaltecia,
Tétis recordava-se do dito da deidade.
Mas um dia chegaram uns velhos com notícias
e contaram a morte de Aquiles junto a Tróia.
E então rasgou Tétis suas vestes de púrpura
e de si arrancou e logo deitou a terra
todas as pulseiras e todos os anéis.
E no meio dos lamentos recordou o passado,
perguntou que fazia esse sábio deus Apolo,
mas que andava a fazer o poeta que, na boda,
tão bem tinha falado, onde andava esse profeta
quando na flor da idade matavam o seu filho?
E os velhos lhe contaram que o próprio deus Apolo
em pessoa descera junto à terra de Tróia
e que Aquiles matara junto com os troianos.


Konstantinos Kaváfis

quarta-feira, abril 12, 2006


TUDO É VÃO

Olhes para onde olhares, no mundo tudo é vão!
O que hoje este constrói, outro arrasará;
Onde hoje se erguem cidades, um prado nascerá
E nele um pastorinho e o gado saltarão.

O que hoje cresce viçoso, breve será pisado,
O que hoje tem vida e força letal;
Aqui nada é eterno, nem mármore nem metal,
Hoje a sorte sorri-te, amanhã cais prostrado.

Desfaz-se como um sonho a glória de altos feitos.
Vence o jogo do tempo, e os homens imperfeitos.
Ah, como é nada tudo o que quer valer mais,

Medíocre e mesquinho, sombra, vento e poeira,
Como uma flor do campo a que se perde a esteira!
Não se mostra o eterno aos olhos dos mortais!

Andréas Gryphius

quinta-feira, abril 06, 2006




sexta-feira, março 31, 2006












quinta-feira, março 30, 2006











segunda-feira, março 27, 2006




































domingo, março 26, 2006







sexta-feira, março 24, 2006



terça-feira, março 21, 2006

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate.
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date.
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.


William Shakespeare (1564-1616)

segunda-feira, março 20, 2006

 
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