quinta-feira, março 30, 2006











segunda-feira, março 27, 2006




































domingo, março 26, 2006







sexta-feira, março 24, 2006



terça-feira, março 21, 2006

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate.
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date.
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.


William Shakespeare (1564-1616)

segunda-feira, março 20, 2006

sexta-feira, março 17, 2006

quinta-feira, março 16, 2006

ama como a estrada começa
(Mário Cesariny)

quinta-feira, fevereiro 23, 2006















Cantiga, partindo-se

Senhora, partem tão tristes
Meus olhos, por vós, meu bem,
Que nunca tão tristes viestes
Outros nenhuns por ninguém.
Tão tristes, tão saudosos,
Tão doentes da partida,
Tão cansados, tão chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
Tão fora de esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

João Roiz de Castelo Branco


(foto Tiago Oliveira)

terça-feira, fevereiro 14, 2006



(anti-Ricardo Reis)
O rio é bom
para nadar
as flores para dar
o resto são cantigas
casa-te com Lídia
tem bebés
e passa
a lua de mel na Grécia.

Adília Lopes


sexta-feira, fevereiro 10, 2006


13 Moradas em Paris

Alberto Giacometti, nº 46, Rue Hippolyte Maindron, Paris 14 e
Amadeo Modigliani, nº 7, Place Jean Baptiste Clément, Paris 18e
André Gide, nº 2, Rue de Tournon, Paris 6e
Artur Rimbaud, nº 10, Rue de Buci, Paris 6e
Auguste Rodin, nº 77, Rue de Verenne, Paros 7e
Charles-Pierre Baudelaire, nº 17, Quai d’Anjou, Paris 4e
Henri Matisse, nº 19, Quai Saint-Michel, Paris 5e
Pablo Picasso, Bateau Lavoir, Paris, 18e
Paul Cézanne, nº 15, Rue Hégésyppe Moreau, Paris 18e
Paul Verlaine, nº 39, Rue Descartes, Paris 5e
Pierre-Auguste Renoir, nº12, Rue Cortoy, Paris 18e
Vincent Van Gogh, ao cuidado de Théo, nº 54, Rue Lepic, Paris 18e
Victor Hugo, nº 6, Place dês Vosges, Paris 4e

Mário Rui de Oliveira

terça-feira, fevereiro 07, 2006




Se calho de me ausentar
é porque tenho que fazer
Se tenho que fazer é porque
somos obrigados a trabalhar

Conceição Calção

terça-feira, janeiro 24, 2006



Se estou
sozinha na neve
é obvio
que sou um relógio

de outro modo como poderia
a eternidade deslizar

Inger Christensen

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Outono II, gostaria




Gostaria
Gostaria
De vir a ser um grande poeta
E que as pessoas
Me pusessem
Muitos louros na cabeça
Mas aí está
Não tenho
Gosto suficiente pelos livros
E penso demais em viver
E penso demais nas pessoas
Para estar sempre contente
De só escrever vento


Boris Vian

quinta-feira, janeiro 19, 2006



Outono



Uma vez um homem encontrou duas folhas e entrou em casa segurando-as com os braços esticados, dizendo aos pais que era uma árvore.

Ao que eles disseram então vai para o pátio e não cresças na sala pois as tuas raízes podem estragar a carpete.

Ele disse eu estava a brincar não sou uma árvore e deixou cair as folhas.

Mas os pais disseram olha é outono.

Edson Russel

sexta-feira, janeiro 13, 2006




Amava tudo
no mundo.
E tinha apenas
o meu caderno
branco
debaixo do sol.


Sandro Penna

quarta-feira, janeiro 04, 2006



LET us go then, you and I,
When the evening is spread out against the sky
Like a patient etherised upon a table;
Let us go, through certain half-deserted streets,
The muttering retreats
Of restless nights in one-night cheap hotels
And sawdust restaurants with oyster-shells:
Streets that follow like a tedious argument
Of insidious intent
To lead you to an overwhelming question …
Oh, do not ask, “What is it?”
Let us go and make our visit.

In the room the women come and go
Talking of Michelangelo.

The Love Song of J. Alfred Prufrock
T.S. Eliot (1888–1965)

sexta-feira, dezembro 30, 2005


if strangers meet


if strangers meet
life begins-
not poor not rich
(only aware)
kind neither
nor cruel
(only complete)
i not not you
not possible;
only truthful
-truthfully,once
if strangers(who
deep our most are
selves)touch:
forever


(and so to dark)

e.e. cummings

sexta-feira, dezembro 16, 2005




Na semana passada saíu-me a Morte para uma coisa, e para a mesma coisa saíu-me uma carta, da qual já não me lembro, que tinha uma conotação sexual muito forte, o que me deixou muito contente. Na segunda tirada saíram-me duas cartas extraordinárias. Mas eu preferia que as cartas da segunda tirada me tivessem saído na primeira...

terça-feira, dezembro 13, 2005




de profundis amamus


Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes

O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso

Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso

Mário Cesariny
 
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