somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully ,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands
e. e. cummings
terça-feira, julho 29, 2003
domingo, julho 27, 2003
ontem vi no british museum a mumia para quem este poema de amor do antigo egipto foi escrito
Se fores à casa coberta de hera
Antes dos outros convidados chegarem,
Põe-te à vontade
Na sala dos banquetes.
As flores mexem-se com a brisa,
A qual, se não estiver toda envolta em perfume,
Há-de conseguir levar até ti
Pelo menos a excelência de alguma da sua fragância.
O perfume alastra,
A embriaguês começa.
Aquela rapariga ali, a que se parece com Noubt:
Se tiveres a sorte de a receber como presente,
Meu amigo, deves estar preparado para oferecer em sacrifício a tua vida
Pois é a única coisa que podes dar em troca.
Se fores à casa coberta de hera
Antes dos outros convidados chegarem,
Põe-te à vontade
Na sala dos banquetes.
As flores mexem-se com a brisa,
A qual, se não estiver toda envolta em perfume,
Há-de conseguir levar até ti
Pelo menos a excelência de alguma da sua fragância.
O perfume alastra,
A embriaguês começa.
Aquela rapariga ali, a que se parece com Noubt:
Se tiveres a sorte de a receber como presente,
Meu amigo, deves estar preparado para oferecer em sacrifício a tua vida
Pois é a única coisa que podes dar em troca.
quarta-feira, julho 23, 2003
terça-feira, julho 22, 2003
mesmo sem acentos
O meu coracao assumiu todas as formas:
a de uma pastagem para gazelas e a de um convento para monges cristaos,
um templo para idolos e uma caaba para peregrinos,
as tabuas de uma tora e as paginas de um alcorao.
Sigo a religiao do amor;
para onde quer que sigam os camelos do amor,
o amor e a minha religiao e a minha fe.
Ibn Arabi
O meu coracao assumiu todas as formas:
a de uma pastagem para gazelas e a de um convento para monges cristaos,
um templo para idolos e uma caaba para peregrinos,
as tabuas de uma tora e as paginas de um alcorao.
Sigo a religiao do amor;
para onde quer que sigam os camelos do amor,
o amor e a minha religiao e a minha fe.
Ibn Arabi
Everything is far
and long gone by.
I think that the star
glittering above me
has been dead for a million years.
I think there were tears
in the car I heard pass
and something terrible was said.
A clock has stopped striking in the house
across the road...
When did it start?...
I would like to step out of my heart
an go walking beneath the enormous sky.
I would like to pray.
And surely of all the stars that perished
long ago,
one still exists.
I think that I know
which one it is--
which one, at the end of its beam in the sky,
stands like a white city...
Rainer Maria Rilke
and long gone by.
I think that the star
glittering above me
has been dead for a million years.
I think there were tears
in the car I heard pass
and something terrible was said.
A clock has stopped striking in the house
across the road...
When did it start?...
I would like to step out of my heart
an go walking beneath the enormous sky.
I would like to pray.
And surely of all the stars that perished
long ago,
one still exists.
I think that I know
which one it is--
which one, at the end of its beam in the sky,
stands like a white city...
Rainer Maria Rilke
domingo, julho 20, 2003
A Varanda de Julieta
Uma vez entrei em verona para não entrar
em veneza. Entre o vê de verona e o vê
de veneza optei por ver verona. Gostei da
coincidência das consoantes na janela
de julieta; e sei que em veneza não ouviria
o vento da vingança, nem provaria o veneno
de uma volúpia que só em verona se
desvanece com a vida. Não há canais em
verona, como em veneza; nem há janelas
em veneza, como em verona; mas julieta
espreita a rua, da janela que é sua, e se
ninguém diz a senha que só ela sabe, agita
o lenço molhado pelas lágrimas que as
nuvens bebem, levando-as de verona até
veneza, onde a chuva as deita nos canais.
Nuno Júdice
Uma vez entrei em verona para não entrar
em veneza. Entre o vê de verona e o vê
de veneza optei por ver verona. Gostei da
coincidência das consoantes na janela
de julieta; e sei que em veneza não ouviria
o vento da vingança, nem provaria o veneno
de uma volúpia que só em verona se
desvanece com a vida. Não há canais em
verona, como em veneza; nem há janelas
em veneza, como em verona; mas julieta
espreita a rua, da janela que é sua, e se
ninguém diz a senha que só ela sabe, agita
o lenço molhado pelas lágrimas que as
nuvens bebem, levando-as de verona até
veneza, onde a chuva as deita nos canais.
Nuno Júdice
sábado, julho 19, 2003
As Quatro Manhãs
Primeira Manhã
Quando cheguei devia ser tarde,
já tinham dividido tudo
pelos outros e seus descendentes.
Só havia o céu por cima dos telhados
lá muito alto
para eu respirar
e sonhar.
Tudo o mais
cá embaixo
era dos outros e seus descendentes.
A terra inteira
e o mar
e o ar
tudo medido
dividido a régua e compasso
pelos outros e seus descendentes.
No mundo inteiro
não faltava ninguém
depois dos outros e seus descendentes.
A terra inteira
era estrangeira
mais este pedaço onde nasci.
Não me deixaram nada
nada mais do que o sonhar.
Eu que sonhasse!
E eu que amo a vida mais do que o sonho
e o sonho e a vida juntos
mais do que ambos separados
e que não sei sonhar senão a vida
e que não sei viver senão o sonho
hei-de ficar aqui
entre os outros e seus descendentes?
Eram meus caminhos
os caminhos murados
só os caminhos eram meus.
Só tinham fim os caminhos
ao começar outros caminhos.
As portas fechadas
as janelas cerradas
só os caminhos eram meus.
A minha viagem não tinha fim
no fim de todos os caminhos.
O fim que tinha era outro
bem perto de mim
em todos os caminhos.
Bem perto de mim andava
aquele que eu buscava,
aquele que não era nenhum dos outros e seus descendentes,
alguém cuja pessoa era eu
que não me achava.
Apenas uma voz me falava e sabia
que eu não era nenhum dos outros e seus descendentes.
E esse que a voz sabia que eu o era
me levava pelos caminhos
os meus olhos primeiros do que eu
e o coração no peito a contar.
A voz sabia-o bem
e eu para me encontrar.
Também vi pelos caminhos
lembro-me de quantos
também como eu
à procura de tantos como eles.
Perdidos vão
perdidos? não!
não achados
não achados ainda.
Perdidos não estão
vão perdidos por se acharem,
vão mortos por se verem a si próprios
como são.
Levam o sonho no ar
e o coração a contar
as idades que é preciso ter
até cada um ser
aquele que vai em si.
Nascer é vir a este mundo
não é ainda chegar a ser.
Nascer é o feito dos outros.
O nosso é depois de nascer
até chegarmos a ser
aquele que o sonho nos faz.
Já sei de cor os caminhos
já sei o que vale a promessa
já vejo perfeito no sonho
o que me há-de a vida imitar.
Mais além
e o sonho e a vida
libertar-se-ão um do outro em mim!
Almada Negreiros
Primeira Manhã
Quando cheguei devia ser tarde,
já tinham dividido tudo
pelos outros e seus descendentes.
Só havia o céu por cima dos telhados
lá muito alto
para eu respirar
e sonhar.
Tudo o mais
cá embaixo
era dos outros e seus descendentes.
A terra inteira
e o mar
e o ar
tudo medido
dividido a régua e compasso
pelos outros e seus descendentes.
No mundo inteiro
não faltava ninguém
depois dos outros e seus descendentes.
A terra inteira
era estrangeira
mais este pedaço onde nasci.
Não me deixaram nada
nada mais do que o sonhar.
Eu que sonhasse!
E eu que amo a vida mais do que o sonho
e o sonho e a vida juntos
mais do que ambos separados
e que não sei sonhar senão a vida
e que não sei viver senão o sonho
hei-de ficar aqui
entre os outros e seus descendentes?
Eram meus caminhos
os caminhos murados
só os caminhos eram meus.
Só tinham fim os caminhos
ao começar outros caminhos.
As portas fechadas
as janelas cerradas
só os caminhos eram meus.
A minha viagem não tinha fim
no fim de todos os caminhos.
O fim que tinha era outro
bem perto de mim
em todos os caminhos.
Bem perto de mim andava
aquele que eu buscava,
aquele que não era nenhum dos outros e seus descendentes,
alguém cuja pessoa era eu
que não me achava.
Apenas uma voz me falava e sabia
que eu não era nenhum dos outros e seus descendentes.
E esse que a voz sabia que eu o era
me levava pelos caminhos
os meus olhos primeiros do que eu
e o coração no peito a contar.
A voz sabia-o bem
e eu para me encontrar.
Também vi pelos caminhos
lembro-me de quantos
também como eu
à procura de tantos como eles.
Perdidos vão
perdidos? não!
não achados
não achados ainda.
Perdidos não estão
vão perdidos por se acharem,
vão mortos por se verem a si próprios
como são.
Levam o sonho no ar
e o coração a contar
as idades que é preciso ter
até cada um ser
aquele que vai em si.
Nascer é vir a este mundo
não é ainda chegar a ser.
Nascer é o feito dos outros.
O nosso é depois de nascer
até chegarmos a ser
aquele que o sonho nos faz.
Já sei de cor os caminhos
já sei o que vale a promessa
já vejo perfeito no sonho
o que me há-de a vida imitar.
Mais além
e o sonho e a vida
libertar-se-ão um do outro em mim!
Almada Negreiros
sexta-feira, julho 18, 2003
ainda e outra vez
quantas forem
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo
quantas forem
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo
terça-feira, julho 15, 2003
Som de Negros em Cuba
Quando chegar a lua cheia, irei a Santiago de Cuba,
irei a Santiago.
num carro de água negra
Irei a Santiago.
Vão cantar os tectos de palmeira.
Irei a Santiago.
Quando a palma quiser ser cegonha.
irei a Santiago.
E quando quiser ser medusa a bananeira,
irei a Santiago.
Irei a Santiago
com a loura cabeça de Fonseca.
Irei a Santiago.
E com o cor-de-rosa de Romeu e Julieta
irei a Santiago.
Mar de papel e prata de moedas.
Irei a Santiago.
Ó Cuba! Ó ritmo de sementes secas!
Irei a Santiago.
Ó cintura quente e gota de madeira!
Irei a Santiago.
Harpa de troncos vivos. Caimão. Flor de tabaco.
Irei a Santiago.
Eu sempre disse que iria a Santiago
num carro de água negra.
Irei a Santiago.
Brisa e álcool nas rodas,
Irei a Santiago.
O meu coral dentro da treva,
irei a Santiago.
O mar afogado na areia,
irei a Santiago.
Calor branco, fruta morta,
irei a Santiago.
Ó bovina frescura de carriços!
Ó Cuba! Ó curva de suspiro e barro!
Irei a Santiago.
Federico Garcia Lorca
Quando chegar a lua cheia, irei a Santiago de Cuba,
irei a Santiago.
num carro de água negra
Irei a Santiago.
Vão cantar os tectos de palmeira.
Irei a Santiago.
Quando a palma quiser ser cegonha.
irei a Santiago.
E quando quiser ser medusa a bananeira,
irei a Santiago.
Irei a Santiago
com a loura cabeça de Fonseca.
Irei a Santiago.
E com o cor-de-rosa de Romeu e Julieta
irei a Santiago.
Mar de papel e prata de moedas.
Irei a Santiago.
Ó Cuba! Ó ritmo de sementes secas!
Irei a Santiago.
Ó cintura quente e gota de madeira!
Irei a Santiago.
Harpa de troncos vivos. Caimão. Flor de tabaco.
Irei a Santiago.
Eu sempre disse que iria a Santiago
num carro de água negra.
Irei a Santiago.
Brisa e álcool nas rodas,
Irei a Santiago.
O meu coral dentro da treva,
irei a Santiago.
O mar afogado na areia,
irei a Santiago.
Calor branco, fruta morta,
irei a Santiago.
Ó bovina frescura de carriços!
Ó Cuba! Ó curva de suspiro e barro!
Irei a Santiago.
Federico Garcia Lorca
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
--Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
From The Complete Poems 1927-1979 by Elizabeth Bishop,
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
--Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
From The Complete Poems 1927-1979 by Elizabeth Bishop,
segunda-feira, julho 14, 2003
Quando me da as boas-vindas
De braços bem abertos
Sinto-me como aqueles viajantes que regressam
Das longinquas terras de Punt.
Tudo se muda; o pensamento, os sentidos,
Em perfume rico e estranho.
E quando ela entreabre os labios para beijar
Fico com a cabeça leve, fico ébrio sem cerveja.
POEMAS DE AMOR DO ANTIGO EGIPTO
traduçao de Helder Moura Pereira
De braços bem abertos
Sinto-me como aqueles viajantes que regressam
Das longinquas terras de Punt.
Tudo se muda; o pensamento, os sentidos,
Em perfume rico e estranho.
E quando ela entreabre os labios para beijar
Fico com a cabeça leve, fico ébrio sem cerveja.
POEMAS DE AMOR DO ANTIGO EGIPTO
traduçao de Helder Moura Pereira
sexta-feira, junho 27, 2003
AH, PODER SER TU, SENDO EU!
Ei-lo que avança
de costas resguardadas pela minha esperança
Não sei quem é. Leva consigo
além do sob o braço o jornal
a sedução de ser seja quem for
aquele que não sou
E vai não sei onde
visitar não sei quem
Sinto saudades de alguém
lido ou sonhado por mim
em sítios onde não estive
Há uma parte de mim que me abandona
e me edifica nesse vulto que
cheio de ser visto por mim
é o maior acontecimento
da tarde de domingo
Ei-lo que avança e desaparece
E estou de novo comigo
sobre o asfalto onde quero estar
Ruy Belo
Ei-lo que avança
de costas resguardadas pela minha esperança
Não sei quem é. Leva consigo
além do sob o braço o jornal
a sedução de ser seja quem for
aquele que não sou
E vai não sei onde
visitar não sei quem
Sinto saudades de alguém
lido ou sonhado por mim
em sítios onde não estive
Há uma parte de mim que me abandona
e me edifica nesse vulto que
cheio de ser visto por mim
é o maior acontecimento
da tarde de domingo
Ei-lo que avança e desaparece
E estou de novo comigo
sobre o asfalto onde quero estar
Ruy Belo
quinta-feira, junho 26, 2003
Para caminhar sobre a agua é necessario antes de mais
ter os pés grandes. Suficientemente grandes para que
flutuem apesar da gravidade. Para caminhar sobre a
agua temos de descer aos proprios pés. Nao sei se me
faço entender. e dificil, por vezes, fazermo-nos entender
assim a caminhar sobre a agua.
Ha pessoas cujos pés mais parecem folhas de nenufar.
Vivem nos lagos. Afastadas do mundo. De Abril a
Setembro florescem. Escondem no seu seio as flores mais
surpreendentes. Cor-de-rosa de manha, um cor-de-rosa
que se vai tornando progressivamente azul para o fim
do dia.
Ha inumeros lugares onde se pode chegar caminhando
sobre a agua. O que mais me atrai é habitado por car-
dumes de peixes cegos. Nao faz muito tempo que parti.
Talvez (e na melhor da hipoteses) daqui a uns séculos
lhes dê noticias. Quando os dedos dos meus pés – do
halux ao dedo mindinho – de subito de iluminarem.
Jorge de Sousa Braga
ter os pés grandes. Suficientemente grandes para que
flutuem apesar da gravidade. Para caminhar sobre a
agua temos de descer aos proprios pés. Nao sei se me
faço entender. e dificil, por vezes, fazermo-nos entender
assim a caminhar sobre a agua.
Ha pessoas cujos pés mais parecem folhas de nenufar.
Vivem nos lagos. Afastadas do mundo. De Abril a
Setembro florescem. Escondem no seu seio as flores mais
surpreendentes. Cor-de-rosa de manha, um cor-de-rosa
que se vai tornando progressivamente azul para o fim
do dia.
Ha inumeros lugares onde se pode chegar caminhando
sobre a agua. O que mais me atrai é habitado por car-
dumes de peixes cegos. Nao faz muito tempo que parti.
Talvez (e na melhor da hipoteses) daqui a uns séculos
lhes dê noticias. Quando os dedos dos meus pés – do
halux ao dedo mindinho – de subito de iluminarem.
Jorge de Sousa Braga
