quarta-feira, abril 30, 2003

Tenho saudades...
Olá sofia linda!
Também eu estou à espera do mês de Maio e de que com ele o Sol perca a vergonha.
Coisa que não é fácil com o que escorre por este planeta.

QUINTO / NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer

Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogofátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!

Pessoa, Mensagem

Sei que o amor é um trabalho obscuro; temos que sujar as mãos. Se nos retraímos, nada de interessante acontece. Ao mesmo tempo, temos que encontrar a distância correcta entre as pessoas. Demasiado perto, e elas soterram-nos; demasiado longe e abandonam-nos. Como é que as conseguiremos manter na relação correcta?

Hanif Kureishi em “Intimacy”

terça-feira, abril 29, 2003

E tudo era possível...

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer



Ruy Belo, Homem de Palavra[s]
Lisboa, Editorial Presença, 1999 (5ª ed.)
hoje estou com a eugénia. o que quer dizer que estamos as duas contra os ninguéns do frei luís de sousa, versão alargada e corrompida.
ai maio maio
 
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